terça-feira, 27 de novembro de 2012
Ortopedista, raioX, compressinha de água morna e nada.
Mais uma fisgada, fina, intensa, relampejada.
Cardiologista. Aferição da pressão arterial. Eletrocardiograma. Ecocardiograma e nada.
Virei agasalho puído e mofado na escuridão da cova úmida. Calada.
Aí meu Pai!
Deus seja louvado, na cabeça não!
Em tudo menos na cabeça.
Jesus misericordioso não posso ir-me assim tão despreparada.
Consulta marcada com neurologista.
Caule amolecido e vigília florescente.
É a vida, é a idade, as fadigas diárias, a cangalha rangendo no breu das rochas.
Amanhã tenho compromisso inadiável.
Quarta-feira tem Ciranda de Poesia porque românticos NÃO são poucos e, aquela casa "Ponto de Cultura Bola de Meia" vai enche-se mais de História.
Viva Sônia Gabriel!
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Já havíamos comprado passagens, escolhido a roupa do dia, preparado o espírito para o maior encontro do ano e continuávamos;
eu e a irmã, negando a possibilidade de ida. Todas as desculpas cabiam nos telefonemas; hora por conta do trabalho, hora por ser economicamente inviável, hora porque NÃO, ora!
Eles faziam silêncio e, carinhosos, diziam compreenderem o descomparecimento. Mas não entenderam quando aparecemos de surpresa no meio do salão branco todo enfeitado de flor e, estendemos os braços para o abraço mais despossuido de posses e mais festivo de toda essa vida. Lágrimas sinceras orquestraram aquele momento. O coração mais parecia boiada em galope que um músculo vital embalando o peito.
Estávamos os seis de novo envolvidos pelo enlaçar do amor. O amor genuíno da matriz primeira. O amor que transborda, reveste, consagra, integra, reforça as batidas cardíacas e os pisões na unha do dedão. Justifica a colmeia bulinada com as pedras da coivara, a tapioca cozida no respiradouro da fornalhinha, o roubar das frutas de Tia Anália, os peixes do poço de Seu Zezito e nenhuma chinelada. Meus irmãos e eu, minha mãe e eles. O único sobrinho, as cunhadas, o cunhado, o Tio que nos deu de presente a primeira bicicleta. Minha alma de beradeira voltava para o reflorescer do brejo (no tempo em que havia invernada) o milho embonecado e as outras safras descansando no paiol, o alpendre que cheirava manjericão e malva braba. O recreio no terreiro rústico, o ciscar das galinhas e a pintaiada. A leitura de cordéis, a oraçãozinha para o anjo guardião que o pai ensinava. - “Santo anjo do Senhor meu zeloso guardador” - ... e as humildes solidariedades. Tudo estava ali sobrepujando naquele salão branco enfeitado de flor.
A mãe deu o braço esquerdo à ele e caminharam suavemente para onde estava o Juiz. Os padrinhos também adentraram e a noiva que mais parecia uma princesa com hábito sereno, chegou pontualmente cheirosa a sorrir.
Apanhada de sol sem conseguir fechar a torneira das lágrimas permaneci encostada na claridade daquela manhã, enquanto o responsável pela trilha sonora do evento, cantava aumentando a percepção das garantias divinas: “Nem mesmo o céu nem as estrelas nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor nem mais bonito...”
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Minha mãe sem aceitar meus cachos recitou lindamente Vinicius de Moraes e Patativa do Assaré, benzeu-me a testa para aliviar cicatrizes.
Minha irmã bem sucedida na sua consultoria de modas continua ajeitando-me com seus xales finos e camisas de carestia.Quando se descuida eu a engabelo e volto para minhas estampas florais e brincos de capim-dourado. Guardo os xales e as camisas na gaveta forrada com papel de presente.
Meu irmão psicanalista clínico é meu escutador. Recomenda-me Lacan e como bom poeta que é já aceitou minha incur
Minha cunhada Ph.D. em enfermagem também acode-me preparando dieta baixa em calorias e rica em abraços e fibras de açulos. Meu outro irmão chama a florista e a amiga fiel para as confidências. Minha filha complementa os ritos. Participa da migração e brandura outonal do vento para me favorecer com as nuvens. Meu amor prepara réquiens e bastante papel. Ele sabe que nesses dias “é brabo” e eu dou nos nervos. Viro um sol lembrativo de urgência própria. Há muito ele conhece meu cativeiro de saudade e prepara a mesa, cuida do peixe, considera as frutas. Espia-me encher uma taça de vinho demi-seco, sentar-me no batente da porta do meio para cantar: “ê, ê, ê Vaca Estrela! Ô, ô, ô Boi Fubá”...
domingo, 14 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Ternura e valia de minha vida em Amor no máximo.
Meu jardim cheirando malva...
Hoje amanheci mais cativa do teu rumo.
Tua coragem de botar voz no poema do Ricardo Azevedo, revelou-me a seguridade de minha convic
Vens do veio das versagens do seu avô (meu pai aquele danado poético que nos deixou tão cedo).
Muito em breve, aposento-me e, só irei precisar de uma cadeira de palhinha estendida ao sol.
Chupando mexerica vou lhe escutar dando continuação as coisas que ele começou lá no tempo das rachaduras, das telhas represadas pela luz da lua.
No tempo das indiferenças treinadas para esconder sofrimento.
Oh filha! Definitivamente sou a mais feliz das criaturas viventes, pela simplicidade e beleza que vem de ti e, me transforma em festa diariamente.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
Deus seja louvado!
Pela família que me completa, pelos amigos que me consertam, pela correria que me cerca e por esta força que não falha.
Fizemos o penúltimo ensaio há pouco. Fernando Fernandes, Ronaldo Santos, Mirian Cris, Fernanda Fernandes e Rossana Masiero.
Venham TODOS, se possível viu?
Quando vocês estão perto, só nos pousa riquezas.
bj'Z sonoros, cantantes e andejos.
sábado, 22 de setembro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Léo que ainda mora bem perto e, costumava atravessar o monte para ir ao córrego bento se enfiar na lama pra purificar-se.
Deu de fazer melodias adequadas aos momentos e cantar sempre bem bonito. Deu de abrir aço para inventar abraços, matizes e goles de luz que nunca inflama.
Sobre formas bem construídas, palavras, bolhas e areia que adere ao pé, ele ergueu-se como prêmio de canção. Alma lavada e poderes de mundo. Hoje o Léo falará para nós, desatará os nós, contará de viagens, pérolas e asilos... Será?
Acho que não. Contudo sou TODA ouvinte. Nem vou piscar bocejar ou coisa parecida. “A cada instante se cria novas categorias do eterno”.Estaremos na primeirinha fileira.
Bem dito tempo de brotação de flô e, amigos por perto. bj'Z em TODOS!
sábado, 15 de setembro de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Amo tuas postagens antigas, tua voz e a soltura da tua risada
Admiro tua falta de sono, de temor as tempestades e tua coragem de ir ao banheiro dezenas de vezes numa única noite.
Não entendo muito teu apego para com as palavras: nuvem, formiga e outras coisinhas consideráveis.
Amo tua companhia e educação financeira (que sempre me salva).
Teu silêncio escorrido e teus passos no alumião das chaves.
Amo quando tomas partido nas minhas iniciativas e, ainda acredita que sou recuperável.
Olho para o céu e sei que nenhuma privação me foi concedida.
Olho para você e sinto uma vontade imensa de cantar
“Seja luar, amanhecer, saudade vem e vai, amor é o que me levará a você”...
sábado, 11 de agosto de 2012
Cantiga de aluamento
terça-feira, 10 de julho de 2012
Graciosa a tarde de sábado nem boceja, chega pronta e sonora. Com cheiro de serra, queijadinha e pão de queijo.
Estamos em quatro e fala-se de política, amores, decotes, filhos, literatura, ciúmes, flores e outras coisinhas que encandecem.
Um escambo de livros é realizado em plena via Dutra. Eu fico com Os Últimos Dias de Baudelaire, Sônia Gabriel prefere o Ciranda dos Tempos, da Beth Brait, Pércila desiste de um filósofo que fala sobre Os Malefícios do Amor e Dyrce é a detentora da sacola cheia de exemplares.
Nosso ponto de parada é o Espaço Cultural “Projeto Fazendo Arte” em Tremembé. Conceição Molinaro, nossa anfitriã, nos espera na calçada, sob o trinar gotejado de papagaios-da-floresta ou gangarras como também são chamados. Com maestria, eles se aprumam nos galhos mais altos da árvore centenária, que fica em frente à casa de Artes.
Crianças, jovens e adultos participam de diversas atividades educativas socioculturais; música, dança, artes plásticas, literatura. Seiscentos alunos e um temor: A mudança do poder executivo na Municipalidade. Nestes tempos de eleição, tudo pode ocorrer, inclusive a desimportância para com projetos como este que a Conceição idealizou e pratica.
Tomadas pela afetividade da acolhida, fomos levadas por impensáveis delícias, advindas de quem conhece os teares da delicadeza, dos gestos solidários e da humildade. De quem não suspende os acordes da arte-cultura e fez do Vale um pouso fixo e bonito de ver.
Um micro-ônibus nos leva pela estradinha bucólica. Enquanto Conceição segue contando a história dos Monges Trapistas, dos campos de arroz que se vestem de dourado na época da colheita. Passamos pela ponte de ferro que corta o ressono do Rio Paraíba. Paramos na igreja do Berisal. Nossa Senhora do Berisal, uma graça, cercada de anjos, de galinhas poedeiras, maracujás madurando na cerquinha viva de madeira em flor.
Pausa para foto e para ouvir mais histórias do Mosteiro, contadas pelo moço que conserta telhados cujo nome esqueci de perguntar.
Nosso passeio, de tão prazeroso e rico, mais parecia antecipação de céu. Na bica da Água Santa, pensei na Brisa e desejei que ela estivesse comigo. Na igreja do Bom Jesus, apreciei as esculturas lindas do apóstolo Pedro, com suas chaves recostadas ao peito e do preferido de Jesus, João, com sua espada a proteger a praça, as crianças e o carrinho de pipoca.
Não resisti e falei para a moça pipoqueira: - Quero o maior e sem queijo, por favor. Ela segurou os dois reais, entregando-me o saco de pipoca com um sorriso mais cheio de tempo do mundo. Comemos felizes eu, Dyrce e Sônia que também fotografava a porteirinha do casarão vizinho à igreja, bordado de azul e branco, dormentes repleto de estátuas.
Deus é mesmo muito acessível eu pensava chorando, enquanto ouvia a orquestra. Maestro Levi cheio de ritmos e cuidados conduzia aqueles jovens por caminhos decifráveis, enfeitando cada pausa com uma emoção que nos levava ao infinito.
Aqueles jovens não serão apreciadores de pancadões. Não serão molestadores de escrúpulos alheios. Serão multiplicadores, estimularão a comunidade para o fortalecimento do protagonismo, empoderamento e emancipação socioeducativa e cultural. Pena que os representantes do poder não conseguem enxergar essa importância. Meus pensamentos não se calavam.
Depois da musica, fomos para um salão lindo, com espelhos largos. A mesa repletinha de culpa e delícias: toalha rendada de alvura ímpar, bolo de cenoura com cobertura de chocolate amargo, bolo de fubá cremoso, chazinho de diversos sabores, café passado naquela horinha. Suco de maracujá, pão de queijo, biscoitinho de manjar, flores e água.
Começou uma conversa animada, histórias de vidas, planos, lágrimas, presentes trocados na hora da saída. Mulheres com suas rimas e sonhos, entusiasmos, cheiros, encantos, desejos e sensação de borboleta colorida. Que venham outras tardes daquela com Dalilas e Querubins. Metáforas, identificações, estradinha de terra e esboços de bom futuro.
Sobre o som da espera, Conceição, estamos aqui, com a casa e alma aberta para você e os teus. Venha, viu?
*Todas as fotos foram tiradas pela Sônia Gabriel.
terça-feira, 19 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
O sapato não é novo e os pés recriados calejam.
Procuro concentrar-me nas primícias do tecnicismo mas, logo vem essas cigarras bailarinas, as tigelas de doce, as grades com begônias coloridas, as janelas e samambaias vivas, as conversas amenas, o alvará, a cuia, o frasco de água cheirosa, o paraíso de medonhas carícias...
sábado, 12 de maio de 2012
26 de Abril de 2012
Salvaguardei-me na apólice das franquezas
estou borboleta de colar de contas coloridas e, asas bem compridas...
as perguntinhas queixosas de curral e valentia
já não atolam mais as lajotas do meus sonho
domingo, 29 de abril de 2012
Uma pessoa do nosso meio, cuja estima é relevada, explicitou revolta em relação aqueles que se intitulam Poetas sem o ser. Não estudou Arthur Rimbaud, desconhece Ana Cristina Cesar, Claudio Willer, Torquato Neto, Fernando Coelho, Maria Firmino dos Reis, não sabe lidar com rimas e metáforas? Não pode se intitular Poeta!
Senti a responsabilidade de responder a esta querida pessoa. No começo ignorei mas, depois que vi Leonardo Boff, bem de pertinho, que pedi benção e dei cheiro na sua barba branquinha e sedosa, não sou mais a mesma. Não sou mesmo. Desde terça-feira 24 de abril de 2012 ganhei mais responsabilidade. Etimologicamente, responsabilidade também significa necessidade de dar uma resposta a uma proposta. E já que estamos condenados a conviver nesta nave-mãe Terra, de sermos preconceituosos, arrogantes, invejosos, exploradores, mesquinhos, falastrões e cruéis não há outro jeito; ou nos irmanamos ou contestamos.
Também fui burilada a martelo e talhada na pedra bruta, sofri um bocado no principio mas, depois aprendi que, estabelecer tolerância é a forma estratégica de defender a pluralidade.
Estilos de vidas, formas literárias, códigos de conduta, escalas de valores e opções diversas estão no mesmo nível. Tanto aquele que sabe fazer versos lindos, quanto o que escreve coisa-ruim- demais-da-conta merecem viver.
O trabalhador, o ocioso, o sábio, o simples, o esperto, o alienado, o artesão, o lírico, o insuportável todos são igualmente importantes. Ambos convivem, representam valores e, mostram que ainda deve haver possibilidade de melhora.
É claro que existe os mais excêntricos, excessivos, repetitivos, lustradores do próprio ego. “Para cada tipo de razão um território e uma valia”, concordei com meus botões de casa afrouxada. Lembrei-me de uma citação que meu avô gostava: as palavras DURAS incitam a ira, as BRANDAS dissipam o amargor. Com o advento do google na minha vida, foi que descobri o autor da frase: Confúcio.
Outro dia estava aplicando um teste numa dinâmica de grupo para jovens e, uma das participantes pediu-me ajuda. O grupo não sabia de quem era a frase: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Fiquei indignada. Como assim não sabiam? Especialmente ela que, é filha de socióloga e motorista leitor, que eu bem conheço os pais!
Não conhecer o Exupéry? Impossível uma coisa dessa! Arrogante e pretensiosa dei dicas de leitura, e falei onde poderiam alugar o DVD com a história do Pequeno Príncipe.
No final da dinâmica acontecia um sarau e, onde cada um, se desejasse, poderia demonstrar suas habilidades. Fizemos um grande círculo no meio da sala e apareceu tocadores de gaita, capoeirista, assobiador, fazedores de brigadeiro, dançadores de rua, leitores bilingues, skatista e até uma garota de mechas azuis no cabelo, boca cheia de dentes e bochechas rosadinhas que, nunca lera o Pequeno Príncipe mas, sabia fazer com papel colorido lindas libélulas de jardim e passarinhozinhos graciosos. Fez dezeninhas delas em minutos, dobrando o papel de forma ágil e assertiva. Generosa, nos presenteou com sua arte e eu fiquei mais certa que, a vida não precisa ser um vale de acidez, mazelinhas amarelas, um de cada vez. Vamos juntos! Podemos transformá-la numa casa comum, de quintal colorido e flores de cheiros, desfrutada pela convivência humana e bondade de todas as coisas.
Tudo o que vive merece viver e, “se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três começarei a ser feliz”.
Beijos de conduta terna e que Deus continue nos conduzindo pelos seus caminhos de preferência.
As catorze e trinta desse domingo chuvinosinho, estaremos nos reunindo na Capela do Jardim Colonial com a Mulheres do Pinheirinho.
sábado, 21 de abril de 2012

Essa escassez de postagem significou lampejos diversos.
Saraus, cirandas, rodas de leitura, semana da saúde, cuidados com a filha,
Saudade de irmãos.
Conversinha fiada e tempo de delicadeza...
Vou voltar. Haja o que houver eu sempre volto.
Mesmo com pernas reumáticas e coração de ladrilhos, chama exausta na alma
e olhar macerado de incêndio... Estou voltando!

Eu te perdoo por deixar os chinelos num canto impróprio da sala.
Por ter escolhido esse piso cor de amor se amarelando para nosso quintal.
Te perdoo por não suportar meus incensos,
por levar as flores à garagem alegando que o perfume aflige a proximidade dos assuntos.
Perdoo-te pelo cochilar estático e repetitivo da bolsa de trabalho na ponta da mesa e,
TE AMO pelas dobras dócil de sua conduta,
pela sonoridade de todas as músicas escolhidas,
por guardar-me em segredos e esquecer de me entregar o presente de Natal.
Te amo pela confiança, andejos e permanência.
Pela escolha do alho, das frutas e textura do arroz.
Pelas pretensões, desapegos e facilidade aos acessos.
Te amo a ponto de atravessar o universo guardando nas duas mãos a brandura dos teus olhos
e, de pedir a Deus que me pregue na cruz, me queime em fogueira mas nunca NUNQUINHA mesmo
destine-me para longe dos teus cuidados e desejo.
Além do por do sol, outras mini luzinhas e calmaria... para o Poeta Dailor Varela

... Com ele troquei cartas, farpas, abraços, pedidos de amor e receitas de vinho.
Às vezes o achava medonho, desalmado e pretensioso. Na maioria, o MÁXIMO e, ele sabia.
Ainda era segunda-feira bem cedo (20/03/2012) quando recebi o desalento pela notícia de sua internação.
A inscrição no Conselho Regional de Assistência Social me dá garantia de entrada em locais restritos, especialmente Hospitais.
E foi lá que entrei com o coração aos pulos, em meio há tantos ele era ÚNICO no salão das emergências.
Chamei-o pelo nome, acariciei lhe a testa suarenta.
Ele reagiu com um olhar demoroso e palavrinhas curtas, incompreensíveis para, em seguida cair num ressono.
Seu quadro de saúde ainda era estável, “requerendo exames e cuidados” assegurou-me a enfermeira responsável.
Iniciava-se ali um tempo vigioso de incertezas e espera.
Em horas alternadas passei a visita-lo quase todos os dias.
Do setor Verde foi transferido para o Vermelho, o que evidenciava agravo e intensificação dos cuidados.
Contei sua história para equipe médica, Assistente Social e estagiária. Sua importância para nossa literatura e poesia.
Os dias seguidos ao AVC, doses elevadas de antibióticos, desconforto respiratório e descoberta da diabetes,
embotavam-lhe os olhos e, ele no seu sonho florejado de menino birrento que empurra o portão de pinho no paraíso, deu de não reagir aos estímulos. Aquele tiquinho de céu em plena terra cansou-se das agulhazinhas diárias e aferições.
O corte pequenino no pescoço, também chamado de traqueostomia, anunciava o mandato que não admite réplica.
Ele, que era entre os CEM, um dos MELHORES não melhorava e,
decidiu que no domingo (15/04), antes do almoço, ia mesmo encontrar-se com os pais no jardinzinho deles, cuja varanda dar para o poente e, fica de costa para uma bica de taquara, onde redes coloridas do Nordeste dão cheiros e, ficam balançando ao vento.
Tem ainda uma porção de pés de flor enfileirados.
Vaga-lumes e “anjos esbeltos desses que tocam trombetas”, borboletas e colibris, fazem parceria com outras delícias.
Dizem que por lá, nada é temível e, tudo é partilhável; luz, árvores, estrelas, água, coração e saudades...
É bem provável que por essas horas nosso Poeta maior esteja cantando para nós bem assim:
“No novo tempo, apesar dos castigos, estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos.
Pra nos socorrer, pra nos socorrer”.
Acenos poéticos desse povo aqui, Mestre!
Lembranças que marejam o mais seco dos olhos e, uma boa querença danada de grande.

Ela continua compondo meu divino quadro-família.
Sou de cochilos e cachos, ela é vaidosa. Sou toda coração, ela é exata. Gosto de escrever e ela de dançar.
Continuamos parceiras como no tempo que cuidávamos da fazenda de flores.
As minhas eram brancas, amarelas e azul bem dormentinho; flor de malva, bogari, nove horas e alfazema.
As dela tinham cor perpétua e absoluta; flamboyant, carmim, girassol e açaí vivíssimo.
Eu só tinha medo de alma. Sofria contrita olhando as estrelas de claridade baixa.
Ela temia papafigo e, Zé Biró, doente mental que era filho da mulher que pegava menino.
Só bem depois viemos saber que, essa história de mulher que pegava menino era porque a mãe de Zé Biró, D. Leondina, parteira.
Minha irmã é uma orquestra de sentidos.
Corajosa moça de honestíssimas pétalas.
Corta o pé nos cacos, mas não tira o salto.
Nunca falta ao serviço, nem se aborrece quando adio o depósito das minhas promessas.
Quando espremem seu coração viro uma fera aflita.
Agachada na tocaia do sereno nem respiro, só penso em pegar minha espingardinha de soquete e, brincar de cobrir o coisa-ruim com folhas mal cheirosas e segredos de senhas.
Minha irmã é uma extensão de tudo que é favorável.
Repara minhas vestes, e joias de miçangas advindas dos tabuleiros hippies.
Tenta me ajeitar com seus xales finos, suas camisas de carestia e calças de marca que encobrem a brancura fina de minhas canelas.
Vira as costas eu a engabelo. Volto para minhas estampas florais e brincos de capim dourado.
Ela esquece que nasci no tempo de porta-pote e, que ainda sento no cepo de peroba escura que, virou cadeira na sala de casa.
Invés de abajur escolhi luminária de vela amarela com roxo nas bordas, coberta por sementes de cravos, casca de laranja cheirosa e pau de canela.
Minha irmã é uma dádiva. Meu insetinho da sorte.
Seguro no seu braço direito com as duas mãos de cuidados, como na infância irmãzinha e, na parte mais limpa da alma lhe guardo diariamente.
Temos sonhos comuns, gostamos de jardins.
Quando a mãe lhe punha para tomar sol, acomodadinha num cesto que parecia berço, eu ficava inventando que as florzinhas de pereiro que, sombreava o terreiro, falavam contigo e, você punha-se a sorrir com minha fala de raposa espavorida:
“ Faz cara de feliz menina banguelinha, faz cara de feliz...” e você fazia.
Por obediência natural ao esquecimento, não te lembras mais destas passagens. Não faz mal, eu as reinvento. Pois me falta talento para esquecer.
terça-feira, 6 de março de 2012
Ler suas obras foi inspirador. Estou muito mais possível de encantos. Isso sem falar dos HOMENS que, irão homenageá-las.
Venham todos! É gratuito.
Teremos abraços bem apertados e, outras coisinha pra lá de gostosas.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Foi numa tarde sem cura, minha porção materna levantou-se da zona de conforto e adentrou naquele espaço que, mais parecia uma perturbação esquizofrênica de longo alcance e altura.
O dia anterior tinha sido de expulsões, estampidos de bombas, prisões, barulho de helicóptero, longos telefonemas, dor e muitas lágrimas partilhadas com amigos, em especial Paulo Barja.
Era 23 de Janeiro, o ano mal havia começado e, estávamos ali, eu e minha filha, buscando uma resposta, um alento por mais tênue que fosse para abafar tanta agrura.
Em aguda situação o silêncio é balsâmico. Mas aquele não era. Era infinitamente doedor.
Voltamos para casa. Eu estava disposta a enfrentar pelas crianças e idosos, os mais danosos cães. Recorri ao ECA, artigo cinco explicitava: “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, descriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei, qualquer atentado por ação ou omissão aos seus direitos fundamentais.”
Meu Deus! Todos os direitos foram violados e continuavam sendo, ali perante nossos olhos mornos!
Maldisse os governantes, os líderes, a ignorância, os assuntos de Leis.
Não calculei o preço mas, quando percebi que seria incapaz de conseguir sozinha, rebusquei amigos, reparti o leme e o barco seguiu repleto pela autenticidade dos atalhos.
Logo a garagem de casa encheu-se de caixas e sacolas. Biscoitos, meias, moletons, lençóis, camisetas, panetones, bíblias, carrinhos, gibis, prendedor de cabelo, fraldas, garrafas de café, porta-sabonete, chinelos, remédio pra piolho, analgésico, pirulito e itens relevantes de utilidades diversas.
Em duas semanas virei carreteira, madrinha, irmã de solidão e afeto, conselheira, ouvidora, portadora de recados e pedidos, entregadora de lanche da tarde, acompanhante de enfermarias.
Até que os meandros racionais inflamaram-se na sala de estar. Meu par apontou-me que, a razão é um sol impiedoso; ela ilumina, mas, também cega.
Foi decretado insatisfação pelos meus atos e opção. Vislumbrou-se a concepção que eu estava agindo de forma ridícula e atavicamente assistencialista.
Restaram-me os soluços, o abraço da filha e as centenas de pedidos guardados na bolsa.
Uma semana passou e, consumida pelo ardor da impotência, reativei minha subjetividade, minhas referências e princípios, o lugar mais íntimo onde o meu “eu” sobrevive.
Convenci o amor que minhas ações eram carregadas de histórias, razões e motivos, que minha opção tinha um caráter sacral. Pois minha alma também fora feita a machado e, talhada na pedra bruta. Carecia dessa possibilidade, de estar com o meu próximo segregado invisível e sem futuro próspero. Somente assim não corria o risco de ser sequestrada, de me perder do cordão que me costura a mim mesma.
No dia seguinte voltei a encontrar Clarinha, Seu Pedro, Vitória, Sara, Ana Cristina, Pedro Augusto, Seu Antônio, Alaíde e Dinorah e tantos outros que me ensinaram e ainda ensinam; “o tamanho da flor não modifica a sua condição essencial. A flor será sempre uma flor, mesmo que pequena”.
Continuamos indo, eu e minha filha, aos abrigos onde seguem alojados dezenas de ex-Pinheirinhos.
Muitos receberam o aluguel social e conseguiu alugar uma casa, outros a Defensoria Publica precisou intervir. Alguns buscaram o quintal de parentes, compadres, amigos. Alguns conseguiram empregos, outros estão à procura. Alguns ficaram doentes, outros foram embora para a terra de origem. As crianças estão frequentando as escolas. Uns sorriem outros permanecem quietos. Uns pedem chicletes, outros chinelos e, assim prosseguem suportando a aflição da existência.
Não deixarei de ir vê-los, pois o que não é percebido não existe. Ou seja; o que não for notado e distinguido, perde a efetividade.































