sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Gotejo nesse ardor adotivo e incauto
espécie de noite morosa e cativa
mesmo sem traquejo esbarro nos teus guardados
nos pomares caseiros cheios de tuas cores e oferta lunares.
Nessas horas de que adianta o pessegueiro em flor, as amoreiras carregadas e esses ipês enfileirados tão cheios de ouro...
que adianta?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016



Fiquei muito animada
Com a minha descoberta
Nessa vida de leitura
Pesquisa e benção profética
Descobri por A mais  B
Que Jesus era um poeta

E era um poeta hippie
Quase nômade, sem parada
Não gostava de sapatos
Nunca viu uma espingarda
Não penteava os cabelos e
Comia pão com mostarda

Mas falava tão bonito
Era uma eloqüência só
Andava por vales, montes
Desertos e cafundó
E onde Ele parava
Era uma alegria só.

Todos queriam tocá-lo
Pedir bânção, pedir cura
Jesus atendia a todos
Sem cara de amargura
Depois chamava os discípulos
E iam comer rapadura

Na noite da tempestade
Ele não foi se deitar
Foi decorar o poema
Que tinha que recitar
Para apascentar os ventos
E os amigos encorajar.

Lá no poço de Jacó
Ele também declamou
Pra moça samaritana
Que por fé acreditou
Provou da água da vida
E sua vida restaurou.

Esse poeta Jesus
Esse Galileu amado
Caminho verdade e vida
É mesmo muito adorado
Por Ele dobram-se joelhos
E Deus é mais exaltado.

Passei no vale da morte
Pisei no Brejo da Cruz
Mas minha alegria transborda
E minha estrada tem luz
Em tudo Ele me socorre
Como te amo, Jesus!

Whats


A Presença Inconstante do Pai na vida dele enternurou a  conduta de sua permanência e delícias.
Ele não se extraviou das formas suaves do afeto para com a filha.
Estava sempre perto. Estendendo a toalha para o café, esquentando a sopa, checando o medicamento, a quantidade do vale transporte, deixando-a dormir “só mais um pouquinho”.
Abraçando-a sem abreviar o choro quando a emoção se avivava.
E ela, de prontidão o esperava chegar do trabalho todas as noites.
"Pai vem ver meu vestido, a música que tirei, a foto que achei. Vem ver meu fichário, Pai!”
Ele ia. Mesmo cansado do labor diário, sempre tinha  uma escuta, uma piada, um comentário de humor, um minutinho a mais.
Ela guardava  pra ele todas  os acordes, os segredos de menina, os acontecidos de viagem, os caprichos e o dom de amar de forma ampla e compensativa.
Para ela a palavra dele valia   mais que um devocional  apostólico.
Nada trincava  quando ele estava  por perto. Era  a valia preciosa, o senso cuidadativo, a certeza que endossava a risada mais sonora. A bondade que alimentava as borboletas.
Quando pequenina, escondida, escrevia o nome dela nos bilhetes de amor que eu fazia à ele. Descobríamos o delito afetivo  e sorríamos os três.
Hoje ela não pergunta mais por que a noite às vezes fica violeta, nem o motivo de    Deus  ter escolhido levá-lo  tão cedo.
 Procura no álbum de fotografias antigas, uma foto dos dois, abre um livro de poemas,  escolhe um  bem bonito  que a gente preferia e posta no Face.
Passa o domingo silenciosa.  Desiste de ir à igreja comigo, alega que as homenagens  sempre trazem  muitas lembranças e pouca alegria.
Vai para casa de pessoas queridas onde tem aniversário e cantoria. As 21h vou buscá-la. Percebo sua voz emotiva, questiono o acontecido, e  ela responde com olhos marejados:
“Mãe, homenagearam o avô do Gabriel com a música do Fábio Jr., e eu chorei litros”!
Fiz silêncio. Exige-se longo tempo e paciência para entender uma ausência. Cada dia descubro que pra ela há, há sim outra palavra mais doce que o mel...
PAI
“pode crer
eu tô bem, eu vou indo
tô tentando vivendo e pedindo
com loucura pra você renascer...
Paaaaaaai!”

quarta-feira, 17 de agosto de 2016




Quando é pra falar de benção
Amor e superação
não existe tempo escasso
nem falta de inspiração
abro a Bíblia e lá encontro
exemplos assim; de montão

A Bíblia nos apresenta
a fraqueza dos heróis
as circunstâncias e as dores
e uma luta feroz
que eles sempre enfrentaram
igualzinho a um de nós.

Moises estava no meio
de uma enorme pressão
chorava a morte da irmã
e o povo em murmuração
reclamava do deserto
da falta de água e pão.

Deus todo “misericórdia”
percebe sua aflição
manda ele tocar na rocha
e alegra-lhe o coração
faz sair água abundante
parecendo um ribeirão.
Todos bebem e se saciam
minimizando a tensão
Moises fortalece a fé
entende a superação,
o sobrenatural de Deus
e retribui com oração

Jesus também pereceu
suou sangue e se prostrou
foi pro jardim soluçando
e por medo implorou:
“Pai, passa de mim essa hora!”
mas o anjo o acalmou.

Nesse tempo de Olimpíadas
de exigência e pressão
recorde, cobrança, incentivo
derrotas e frustração
vemos o Sobrenatural de Deus
agindo com perfeição.

Vanderlei, Gilson, Gilvan
Thiago Cruz, Franciela
a síria refugiada e
a judoca Rafaela
sofreu tanto preconceito
Mas Deus estava com ela.
Em nossa lida diária
há lutas e tribulações
desafios, desavença
gente dura igual carvão
amargurada da vida
cheios de lamentação.

Deus não nos quer desse jeito!
Deus não quer filho assim não!
prefere nossa alegria
coragem e superação
somos cabeça e não cauda
flechas em transformação

Horas salobras se vão
Deus  vem para bem cuidar
do nosso saber e fazer
nosso sentir e falar
somos os tesourinhos DELE
prontos pra continuar.



Zenilda Lua (Agosto\2016)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Assunto de amigos, 
de cidade aniversariando puxado por muitos sentidos.
Venham, se possível!
Vai ter abraço de até 12 segundos bem apertadinho
e microfone aberto para quem quiser declamar "poema-curto"
PurAmordeDeus!
Vai maio
Vem junho
Vai julho
Vem agosto
E eu amor(teço) tua saudade
No calendário do tempo. (Réginaldo Poeta)

quarta-feira, 6 de julho de 2016


Em tempos de flores aneladas
chegava
assobiava
abria o portão
pendurava as chaves
e enchia de cores
o meu coração.

sexta-feira, 24 de junho de 2016


Pastora de nuvens 
dei de convencer a neblina 
para dar vez ao sol...
E não é que ele brotou?
Amarelecido, esmorecendo, 
mas deu o ar da graça!
Hoje hei de dormir suave como pedra.

sexta-feira, 17 de junho de 2016






CORDEL DE SAUDADE
(Zenilda Lua)

Gente linda e importante
Povo do meu coração
Perdoem-me se eu chorar
Estou fraca na emoção
Tenho uma saudade aguda
Pregada no coração

Vocês conhecem a história
Da mocinha do sertão
Que recebeu uma carta
Toda cheia de intenção
Bordada com flor de giz
Que lhe despertou paixão

A paixão virou amor
E um casamento feliz
Vinte e dois anos juntinhos
Sem se afastar por um triz
Éramos amigos e parceiros
Folha, flor, caule e raiz

Tínhamos muito em comum
Sonho, amigos e poesia
Afeto, fé e diálogo
Salário, agrado e valia
Nunca nos desentendemos
Éramos som e harmonia

Eu gosto muito de incenso
Ele porém detestava
Amava ouvir música alta
Eu ia lá abaixava
Mas tudo acabava bem
Tempo ruim nunca se achava

Fazíamos encontros temáticos
Sarau, palestra e baião
Comidinha de terceira
Com as cores do sertão
Nossa casa era um canteiro
Cheio de animação

Com o advento do câncer
Minha alma empalideceu
Conhecia a gravidade
Do clarão que se acendeu
Começamos uma batalha
A filha, os médicos, ele e eu

Um ano buscando meios
De a doença combater
Ele todo positivo
Dizia: - eu vou  vencer!
Não reclamava de nada
Dava gosto de se ver.

Buscou na literatura
                                                           A base nutricional
Na alimentação saudável
Uma forma especial
Conseguiu satisfação
Pra conviver com o mal

Às vezes ele dizia:
"Lua, tu tens que comer!
Tá magra feito vareta
Desse jeito vais morrer
Sou eu que estou com câncer
Você pare de sofrer"!

Eu sofria porque via
A metástase se alastrar
Por órgãos bem importantes
Que é difícil de tratar
Contudo minha ternura
Nunca lhe deixei faltar.

No dia treze de junho
Justo no mês de São João
Precisou se internar
Em complexa situação
Os médicos já diziam
Não haver mais reversão

Foram mais de vinte dias
De torcida e de clamor
UTI e incerteza
Mal estar e pouca dor
Ele não ficou conosco
Assim quis Nosso Senhor

Fez uma passagem dócil
serena quase indolor
na véspera do aniversário
um boletim de ardor
cinco de Julho, à tarde
fiquei sem o meu amor.

No alumião da noite
na dormitação do dia
nas folhas que cobrem a rua
na cidade que esfria
Poeta, sua  saudade
é minha única garantia.


Zenilda Lua

sexta-feira, 6 de maio de 2016


Desabafo de Iniciante
Deixei meu nome na conta de luz da antiga morada.
Desde então ganhei escuridão. 
Pela primeira vez, em quase meio século de vida, elevei o ranking da inadimplência no SERASA.
Perdi a conta das vezes que estive na EDP Bandeirantes. Já liguei cento e dezessete vezes na tentativa de empatar o fornecimento elétrico pelas três contas em atraso. Nenhum êxito ou reparo.
Preguei bilhete no portão da casa. Tentei consenso por meio do diálogo.
Implorei, murmurei, vesti-me de trapos, pedi, ”por-favor,” para me desativarem dessa desigualeza tão irritável. 
Busquei o PROCON, as Pequenas Causas. Nenhuma resolução ou qualquer esperança para curto prazo veio até agora.
A criatura que comprou o imóvel e habita o local tem perfil e valores rasos. 
Pouca dignia e investe em setas des-razoáveis.
Estou emparedada. Caminhando avulsa por entre brisas e cactos.
O algoz não conhece os sublimes do céu, é impoetizável e bem capaz de espetar borboletas só para prendê-las nos seus ofegantes pecados.
Processo judicial por danos morais é o que me cabe...

Mas essas miudezas embrutecem a tarde.
Quem dera todo padecimento fosse por amor.
Quem dera encontrássemos alivio para todas as nossas bagagens.
Um cheiro de própolis e púrpura, em TODOS...
Saúde, paciência e paz.

quarta-feira, 27 de abril de 2016







Hoje eu escrevo porque sou uma postergada amiudando-se no repúdio de algumas afirmações indigestas.
Escrevo porque uma trêmula tristeza me descompensa.
O sol não doura o trigo e o vírus da zika ainda ganha força para se espalhar doloridamente.
O amigo curte um fascista e já se faz tarde. E já não há diálogo e já não há mais outro remédio.
Escrevo porque dói toda essa mediocridade humana, esse consumismo insano, as ponderações as práticas de Hitler,o amor aos bens finitos, a falta de esperança e de poesia.
Sinto como se já estivessem exauridas todas as cantigas das lavadeiras,o seus cheiros de água e sabão-de-coco, rodilhas de pano, trouxa de roupas e pedras de anil guardadas na touceirinha de capim-santo.
Parece que estamos nos perdendo cada vez mais depressa. Esquecendo nossa genial capacidade de transformação.
De tombo em tombo, de burrice em burrice acabaram com as quermesses de maio e com a algazarra das crianças que brincavam de pegar o arco-íris com as duas mãos.
Se não fosse pela certeza que o reino de Deus está próximo e que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, eu me transformaria numa vasilha velha de olhar caído, acocorada no pé do borralho, preferindo tecer esteiras com cipó fino tirado do brejo, a ser gente e ter essa voz de sino grande que não serve para nada. Nadinha!

Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?
(João Guimarães Rosa)