sábado, 3 de maio de 2008

Sem título

Cato ouro nas entrelinhas do meu cisco
tanjo as moscas
queria adestrar vaga-lumes
mas os danados já nasceram prontos
Vontades ressequidas de sorte
perambulam nas margaridas fiapentas
da minha saia macramé
Deus me fez isso: mulher-libélula-doida-por-poesia
sem qualquer tendência a cozinha
uma sopinha de coentro
um “macaça” com farinha e manteiga da terra...
Nada mais.
Inda bem que ele me aceita assim
às vezes se queixa é claro!
E quase me queima com o olhar de craúna sisudo
Contudo, nunca pediu para eu pentear os cabelos
e até me deu de presente os chinelos de couro que eu prefiro
Vez ou outra põe sua mão em cima da minha vida
“e reacende a secreta alegria do meu sangue”
bebemo-nos enternecidos
Depois reparo no bordado que ele fez com minha cor
Usando o desejo do poeta:
“Que seja eterno enquanto dure”
... Eu digo Amém, tá durando o amor

Zenilda Lua

Um comentário:

Puetalóide disse...

Peço desculpas pela exclusão dos blogs do patosonline.
A minha arte pode ter sido o pivô de tudo.