terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pastoreei tuas flores secretas
simples, tépida sem um pingo de sono
dispensei visitas
fiz planos de amor
nos levei para além das estrelas antigas
e com asas de rendas que alteiam as nuvens
persisti no alento do verbo ESPERANÇAR
fez-se tudo silêncio de espuma...

...sonhadora e branda
vou continuar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


Amar também é faltar com palavras. É sentir saudade do que não se explica.
É estagiar a necessidade da loucura para assegurar a normalidade.
É abrir um espaço bem largo por dentro para guardar respostas que jamais virão.
É nunca contradizer a vontade mesmo correndo o risco de ter todos os dedos prensados na rocha bruta.
É portar a filosofia daquele que não se arrepende por se envolver com a ternura.
Amar é continuar assim: como a rua da infância de Cora; pedregulhenta porém feliz e sonora.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011



Vez em quando preciso sair do casebre fúnebre, açoitar os bichos lamacentos, trocar as moscas por borboletas, abraçar o meu próximo até que as costas reacendam...
Verbalizar mais de uma vez:" Eu te amo, eu te amo, eu te amo... CRIATURA"!
Num alvoroço de confraria feliz.

Foi por isso que 2011 chegou com garantia e oferta. Céu de chuviscos e ruas desertas. Promessas distintas envelopadas, almas clarinhas dando risadas serenosas.

Quero que as melhores coisas vigorem.
Que a empreitada pelo sucesso continue em alta.
Que as inglórias caiam por terra agoniadas.
Que o frio seja um pretexto a mais para que o abraço desafie o TEMPO.
Quero paz sem finitude e saúde para agradecer a DEUS toda recompensa....


Já não me desespero mais.
Descobri uma fonte que aceitou escoar meus excessos...


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010




Meu pai agreste se foi bem cedo. Cativo do álcool abriu todas as torneiras do desafeto e nos deixou numa véspera de domingo dia de Nossa Senhora da Conceição. Meu pai católico, provedor de versos curtos, soltador de fogos de artifícios e pescador de primeira. Tinha voz terna e um cheiro diferente que eu infante desconhecia a procedência. Quando mais tarde dando falta de ternura e da sua mão que nunca mais tocara a minha, entendi a rudeza da sua fala e passei a detestar aquele cheiro com a maior força que a verdade pode guardar.
Meu pai abortou as nossas passagens mais engraçadas. Proibiu flores e cantigas. Ficou sovina. Suspendeu sentimentos essenciais e por muitas vezes fez de sua presença um incômodo.
Estendíamos a fita de cor para refazer os laços que a bebida havia esgarçado, ele anoitecia e nunca aceitava. Fortalecendo na gente aquela dor amargosa e deselegante.
Não chorei a morte do meu pai. Suas escolhas renegaram minhas lágrimas, amor e fonte de ajuda. Após deixar seu corpo na lápide 2 do cemitério São Miguel voltei para casa descoberta e forte.
Guardei seus chinelos e o lençol que cheirava cigarros. A rede de pesca, arreios e sela, atras da porta, adornavam silenciosamente aquela tarde única e grossa.
Minha memória revirava a casa e não encontrava uma sombra tênue de carícia paterna. A ponta de afeto mais fina que fosse propiciar uma saudade futura. Meus quatro irmãos e minha mãe choravam quando os abracei e saí indecifrável.
Hoje entendo que tudo aquilo foi um aprendizado necessário para fortalecer minhas intenções. O quanto a literatura foi importante para mim naqueles tempos espinhosos de aconchego falho, liberdade negada, falta de despedida e bênçãos. Tudo aquilo promoveu em mim o desejo sóbrio de cuidar dos que me cercam. Percebi a família como base detentora de valores que regem nossa vida e história.
Pobre meu pai, sem convenção espiritual ou intelectual perdeu-se nas teias venosas da caminhada etílica. Ouvindo Chico Buarque numa dessas manhãs de domingo, lembrei-me dos olhos claros que meu pai tinha e desprovida de dor chorei sozinha.

"Depois de te perder
te encontro com certeza
talvez num tempo de delicadeza
onde não diremos nada
nada aconteceu
apenas seguirei como encantada, ao lado teu"...

Zenilda Lua

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Em dia de Pão&Poema



No inicio da noite de sábado um alerta: Macarrão tem de ir à panela!

Os meninos chegarão famintos.

Num instinto paterno o Poeta cuida de tudo, corta a cebola e os tomates vermelhos, descansa no sal a carne moída, consulta o relógio, atiça o fogo, escolhe os pratos, escorre a massa, apronta o molho e eles chegam. Viola em punho, perna tatuada, cabelos de cachos. Enchem a casa de riso. Misturam-se aos adultos como se fossem eternos, suavizando as coisas duras numa algazarra sem enfado.

Nestes dias de encontro a receita não aceita dicas. Segue solta numa postura amorosa.

Dou-me conta que a filha cresceu e trouxe para seus dias de mocidade o brilho estaloso das noites de lua, cantigas sem regras que alumiarão o asfalto de minha velhice aproximativa.

A noite assobia doce e alta. Colchões, cobertas e travesseiros improvisados adotam a sala e os três meninos se esparramam pelo chão feito batatinhas sonolentas.

Nasce o domingo e eles prosseguem burilando temas que merecem aplauso.

Pedro estica o fio das conversas de quintal e descreve com pompas o tempo que modelava para sua mãe costureira acertar os alinhavos de roupa nova, encomendada pela vizinha para a filha do meio. Aperreio infante. Dado a gargalhada ele conta-nos que insistia para que a mãe contratasse outro provador de roupas e nunca obteve êxito.

Remexe as lembranças e pausadamente fala do bausinho que ganhou de presente da avó e o irmão quebrou a tranca. Suportou a dor daquela ação danosa e só depois se vingou choroso estragando o videogame do caçula. Explica com detalhes o pano parecido com veludo que aplicou na parte interna do baú sem tranca só para este ficar mais risonho e até hoje guarda dentro dele seus tesouros bem encomendados.

Conhecendo o tempo e sua escassez de diálogos, incentivo-os a continuar.

Empenho-me na promoção de afeto que aos poucos ganha forma colorida e se multiplica.

O Stefan imita o Pedro e também abre sua caixa de história.

Revive fases de amor materno e consola-se pelas roupas de babado e franja que sua irmã lhe emprestava. Encantado com o feito, erguia os bracinhos e bailava com a contenteza de menino que tinha menos de cinco anos de idade e adorava experimentar roupas compatíveis ao gênero oposto.

Todos riem sem economia e eu lavro a percepção do quanto é importante esta unicidade.

Sinto vontade de abraça-los, impedindo-os de ir-se tão já.

Sinto vontade de pedir ternamente: Continuem assim viu? Alvejando o tempo sem negar alegria neste aprendizado necessário. Precisamos prosseguir meninos com a rareza dessa poesia humana, saltitante, encantosa e cheia de laços, franjas e bordados. É nela onde está o ouro que precisamos lapidar.


Com mais ternura


Zenilda Lua

Outono de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Foram três meses de silêncio, exaustão e valentia. Assuntos enfezados, encontros (de)versos, alinhavos, negociações em cima da hora, telefonemas em dúzia (feito flor), ensaios tensos e sonoras risadas. Nossa pretensão era inserir suavemente TODAS AS LETRAS DE SÃO JOSÉ na 44a Semana Cassiano Ricardo. Convencemos a curadoria, convoquei a família, abandonei a pós e os projetos sociais. Embrenhei-me na formalidade e depois de muitas sirenes invadirem o céu ameaçando gastura de morte... Conseguimos!

Os amigos e apreciadores da literatura compareceram...


Quase todos os escritores e poetas de São José foram citados
Brisa Almeida cerimoniou o evento
Na efetivação de ensaios utilizamos o Espaço Mário Covas

a cozinha da Poeta Dyrce Araújo

faltou as fotos do SESC e do Bola de Meia

Faltou tempo e paciência (as vezes)

...mas conseguimos divulgar e apresentar a beleza e a importância da obra de nossos escritores.
Viva a poesia, a sinergia, o coletivo e o desejo mútuo de novos rumos para a literatura joseense.

28/10/2010

No quesito musiqueiro também apontei meu dedo mindinho e a ANA subiu ao palco com o Coro Jovem arrancando lágrimas de uma platéia desejosa e rara. Declamou-se plena, certeira, Cassiânica, arrepiosamente MORENA.


25/10/2010

Foram 73 emails
17 NÃOS via telefone e encontros
até virar a cadeirante 13 da AJL
Meus crimes foram TODOS por amor a literatura
pode trazer a algema mas deixe-me escolher a cor...nessa altura!

http://www.fccr.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=863:academia-joseense-de-letras-e-reativada-apos-30-anos-de-inatividade&catid=51:espaco-cultural-cine-santana&Itemid=66

“Essa é uma academia diferente das outras, não seguimos o modelo da Academia Brasileira de Letras (ABL), nós estamos formando uma entidade voltada para a produção literária, para o resgate de antigos escritores locais hoje em completo esquecimento. Uma das funções deste grupo será promover a literatura na cidade e influenciar toda a região e o maior número possível de municípios dentro deste modelo de academia produtiva e promotora de novos talentos. Não teremos uma função passiva junto a sociedade e sim proativa, inclusive buscando tornar viável a publicação de obras de autores sem condições econômicas para faze-la”, esclareceu Ottoboni
O estatuto da nova academia prevê o ingresso de somente literatos que tenham atividade constante no cenário cultural e com livros publicados, o que impedirá das vagas serem ocupadas por pessoas sem intimidade e atuação com esse segmento da cultura. Eles ainda deverão residir na cidade e ter o compromisso de promover o conhecimento literário e fomentar o surgimento de novos autores. Também será função da entidade dar visibilidade plena aos escritores locais, tanto em âmbito regional como nacional e internacional".

Júlio Ottoboni
Jornalista científico e Curador da 44a Semana Cassiano Ricardo

Dia da Posse
Continuo araponga do mato batendo a bigorna de ouro.
Possuída de um sonho insensato: que os falsos se desmanchem,
que a poesia prevaleça e que em cada ser manifeste-se ações diárias de bondade, refletidas por desejos: de conhecer, verbalizar e propagar a arte literária com responsabilidade, organização e amor.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Coisa materna

Depois de você fiquei mais completa
serenei-me.
Cuidei mais do chão, do lixo, do próximo e das pétalas.
esqueci as pedras
fui mais vezes à biblioteca e cavuquei segredos que só a alma acolhe.
validei conceitos
enchi tudo de significado
burilei minha consciência crítica
fiquei menos fútil
me juntei as fontes
e fui feliz PARA SEMPRE.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Já me inscrevi!



A Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) está convidando escritores joseenses, ou residentes em São José dos Campos, interessados em expor seus trabalhos e participar das atividades do Festival da Mantiqueira, que acontece de 28 a 30 de maio no distrito de São Francisco Xavier. As inscrições devem ser feitas pelo próprio site da FCCR até o dia 20 de maio.


Terra Nossa

domingo, 14 de março de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


No meio da tarde a chuva rega todas as classes de telhado impiedosamente.
Entro em casa respingada.
Sapatos na mão, olhos em arrepios pela revoada de gotas geladas.
Na cozinha uma cena duplica-se em ternura.
Desprovido de guarnição ou alarde, ele recebe-me como num solstício sem lançar suspeitas. Dedos embebidos no sumo de limões-cravo, acariciando cuidadosamente o peixe que descansa impecável na brancura da travessa espessa.
Ainda incrédula àquela ação, abraço-o pelas costas num alvoroço festivo.
Adepto, a carnes gordurentas e lingüiça apimentada eu o vejo naquele cardápio lírico zelando peixes.
Não tive como deixar de puxar o fio da saudade e me redimir de toda pressa.
Revi a cesta envelhecida de corda onde ficava o pão francês, ao lado dos pratos de ágata com borda de flor. A prateleira desprovida de cristais ou louças raras. A mesa de madeira idosa ressecada de estrias. O cheiro da infância posta na minha alma arrebatada e esperançosa.
O amor aventurando-se morno, limpo e decifrável. Folheando um livro novo no meu rosto com lembranças de vó,farinha e mel.
As cartas começaram assim; assunto calmo reportado às feiras literárias, noites de inverno, céu que vira dormitório de estrelas, e outras papoulas e cais.
Lambi os beiços. O cheiro do peixe fazia-me refém daquele aguardo, enchia a casa.
Não quis mais desperdiçar nenhum fiapo serenoso do amor naquela tarde.


Zenilda Lua


terça-feira, 20 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

... Por que ainda é Setembro - click na imagem para melhor visualização



Pra tu que sentiu falta da gente

Esse feito de silêncio
necessário
varreu tempo
deixou tudo bem clarinho
ardeu peito
ocultou identidade
fez lembranças
escorrer pelo caminho...

sábado, 5 de setembro de 2009

Quebrando paradigmas


Sinceridade é a busca do absoluto e a semana que passou chegou com soltura, “simprinha” cheirando churrasco de peixe no parque Santos Dumont bem de tardezinha. Família Sesquiana em deleite sob os olhos vigiosos de um moço canceriano lindamente iluminado...Vai vendo!
Sessão de fotos Univap.
Primeira reunião com a moçada do Projeto “Flores em Flor”.
Honradíssima pelo convite para participar, ganhei até um ar de “floricultora”.
Tô dizendo que também escolhi o caminho menos longo para a felicidade? Conheci a Rossana Masiero.
Pois bem, o artigo sobre Co-dependência anda longe de ser publicado.
Enquanto isso vou aparando as arestas. Embasando-me no teórico-prático. Norteando-me por Faleiros sem corromper sua legitimidade.
Continuo hospedeira de várias paisagens e poemas encomendados, estrelas, arabescos, saudades, Manuel Bandeira (cortesia que os normais descompreendem) mas deixe estar.
Bom mesmo foi ter recebido uma quinta-feira noticiosa. Rosângela Ribeiro telefona-me e do meio do caminho todos os sinais viraram propostas! Meu anjo mande uma resposta!
Falta tanto tempo. Falta tanta prosa.
Contudo os outros poemas serão “BEM DITOS” por Beá, Wallace e Clara. Tem que ouvir, tem que tocar na maciez da oferta como se fosse o suor do jasmineiro.
Já podemos passear de carro. Documentos licenciados e minha irmã vindo de SAMPA para uma visita-feriado. Tô puxando corrente de animosidade.
Podem denunciar-me, mas antes macerem essa pedreira que deu de bater panela dentro do meu peito claro...
Josie, há tanta saudade!
Paradigma quebrado e tudo que mais quero é ter amigos me querendo bem e o Poeta me querendo sempre... Amém!
Zenilda Lua

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

sábado, 27 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

( de Rosângela Ribeiro)

Procurei
rei de rainha
Laborei
orei aos ares
Transbordei
bordei o dado
Encantei
cantei o conto
Escolhi
colhi teus olhos
Balancei
lancei-me insólita
Aguardando
ando em aguardo.

adorei esse poema da Rô.
Pedi para mim e ela deixou alfazemá-lo.
Ando tão desinspirada
"prestando atenção em cores
que não sei o nome;
Almodovar, Frida Khalo,
meu amor cadê você"?...

terça-feira, 19 de maio de 2009


Festival Mantiqueira 2009 - Diálogos com a literatura,
oficialmente não fomos convidados,
mas estaremos por lá espalhando sensatez, poemas e flores.
Junte-se ao movimento!
saiba mais sobre o projeto acessando
http://dialogosnamantiqueira.ning.com/




sábado, 9 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

domingo, 29 de março de 2009

sábado, 28 de março de 2009